Monday, October 02, 2006

Errante...

Aquele olhar para o horizonte vago

Vago, como o quarto manchado de solidão

Olhar sem a bravura que lhe reconhecia

Outrora, a nada padecia...

Ínfimo de desilusão

Perde-se agora no espaço da compaixão

Alienou-se de si aquele viver intenso

De voar por trilhos agora turtosos caminhos

A desorientação de paixões, culpada

Sem sentença, não é julgada

Julgou-se, noutros tempos

Invencível a todas as razões de todos os momentos

Passados, presentes, e futuros

Partem-se seus ossos que imaginava duros

Inquebráveis ás pancadas violentas de cada tempo

De todos os tempos

Não sabe quem é, e vagueia moribundo pelo horizonte

Procurando respostas naquele monte mudo

Decerto surdo

E chora... por não encontrar resposta

Talvez seja o primeiro dia da sua vida

A verdadeira vida que o põe á prova

Mas, sem bravura, que homem resiste e dura?

Hoje, amanhã, depois, será diferente

Pois tão somente tudo não passa de ciclos conjunturais

E hoje o que não há, sonha

Para que seja demais

Ao futuro, que o passado vive no presente...

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