Aquele olhar para o horizonte vago
Vago, como o quarto manchado de solidão
Olhar sem a bravura que lhe reconhecia
Outrora, a nada padecia...
Ínfimo de desilusão
Perde-se agora no espaço da compaixão
Alienou-se de si aquele viver intenso
De voar por trilhos agora turtosos caminhos
A desorientação de paixões, culpada
Sem sentença, não é julgada
Julgou-se, noutros tempos
Invencível a todas as razões de todos os momentos
Passados, presentes, e futuros
Partem-se seus ossos que imaginava duros
Inquebráveis ás pancadas violentas de cada tempo
De todos os tempos
Não sabe quem é, e vagueia moribundo pelo horizonte
Procurando respostas naquele monte mudo
Decerto surdo
E chora... por não encontrar resposta
Talvez seja o primeiro dia da sua vida
A verdadeira vida que o põe á prova
Mas, sem bravura, que homem resiste e dura?
Hoje, amanhã, depois, será diferente
Pois tão somente tudo não passa de ciclos conjunturais
E hoje o que não há, sonha
Para que seja demais
Ao futuro, que o passado vive no presente...
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